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Pink Anderson


Seu nome verdadeiro é Pinkney Anderson, nascido na cidade de Lawrence, Carolina do Sul, no dia 12 de fevereiro de 1900. Sua família se mudou para Greenville e depois Spartanburg, onde ele cresceu e viveu por boa parte de sua vida. Menino ativo e desinibido, para conseguir trocados cantava e dançava nas ruas. Um vizinho lhe ensinou os princípios de como tocar o violão, porem ele so iria se desenvolver no instrumento a partir de 1916 quando conheceu Simmie Dooley. Talentoso instrumentista e cantor, Simmie tinha dificuldades para conseguir trabalho pelo fato de ser cego. Os dois se tornaram grandes amigos. Anderson conseguiu trabalho como dançarino e comediante no que se costuma chamar de show medicinal, ou seja, um pequeno show andarilho que atrai um pequeno publico o tempo suficiente para vender remédios ‘alternativos’, geralmente um tônico de ervas não identificadas garantidos a resolver um sem número de males. Pink Anderson se juntou ao Dr. Kerr’s Indian Remedy Company Medicine Show onde ele permaneceria pelos próximos trinta anos. Quando não estava viajando com o Dr. Kerr, Pink Anderson e Simmie Dooley iam até a mata com violão e garrafão de whiskey caseiro e treinavam até altas horas. A exigência de Dooley que chegava a bater em Pink com uma vareta quando este insistia em errar certos acordes, somados à aplicação séria do rapaz, fez com que no espaço de pouco mais de um ano, Pink Anderson se tornasse um instrumentista bastante desenvolto. Tanto que ele passou a atrair o povo para assistir o show do Dr. Kerr, não mais contando piadas mas utilizando seu violão. As exigências deste tipo de trabalho obrigam o musico a ser extremamente eclético como também ser meio ‘repentista’, compondo letras na hora com nomes e descrições das pessoas que o assistiam naquele momento. A dupla Simmie e Pink, tocando sempre em festas, piqueniques, ou mesmo nas ruas de Spartanburg, passa a ganhar certo reconhecimento. Durante a década de vinte, Anderson também tocou com uma variedade de músicos de rua, entre estes, ‘Fiddlin’ Frank Martin e seu filho Carl Martin. Em 1928, após um set da dupla Simmie e Pink, surgiu um convite para gravarem em Atlanta pelo selo Columbia. Foram quatro faixas que renderam dois compactos lançados no espaço de dois anos. O primeiro compacto vendeu tão bem que tiveram de imprimir uma segunda prensagem. A Columbia convida Anderson de volta, porém sem Dooley. Amigo fiel, o convite foi prontamente recusado por Anderson, que logo volta a sua rotina de viagens com o show medicinal. Dr. Kerr se aposentou em 1945, Anderson logo se atrelando a outros shows medicinais. Sua fama de bom músico e bom cantor o manteve no circuito dos shows medicinais, entre os quais estão o Frank Curry Show, o Emmer Smith Show, o WA Blair Show e finalmente o Big Chief Thundercould's Show, este se aposentou em 1950. Durante sua passagem pelo Emmer Smith Show, fez amizade com o ainda jovem Peg Leg Sam (Arthur Jackson), a quem ensinou muito sobre musica. Com o país rapidamente mudando após a Segunda Guerra, em parte graças ao surgimento da televisão, este tipo de show estava rapidamente se tornando extinto. Se apresentando em Charlottesville na Virginia, Pink Anderson acabou sendo gravado pela segunda vez em sua longa carreira. O material compreende em parte, canções típicas utilizados nos shows medicinais, estilo cada vez mais raro e que ele dominava tão bem. Pink acabou dividindo essas sessões com outro bluesman, o Reverendo Gary Davis. Anderson em 1954 volta para Spartanburg tocando com Charles ‘Baby’ Tate alem de montar um trio com Keg Shorty Bell na gaita e Chilly Willy Williams no esfregão de roupa. Sua carreira sofreu uma travada em 1957 após Anderson sofrer um ataque cardíaco, parando definitivamente de viajar e se fixando em Spartanburg. Quatro anos depois, em 1961, seu grande amigo Simmie Dooley faleceu. No ano seguinte, após uma apresentação ao lado de Baby Tate, Anderson receberia um convite de Sam Charters, dono do selo Charters, para gravar uma série de discos. É a partir da década de sessenta que foram gravados o grosso de sua discografia. Assim como existe a região do Delta no Mississippi, existe na Carolina a região de Piedmont, na qual o estilo é caracterizado por um blues melancólico na voz. Neste sentido, Pink Anderson é um belo exemplo e lembra muito outro filho da região, o bem mais famoso Blind Boy Fuller. Ao todo foram três LP’s, respectivamente um de blues, um de baladas e outra de canções típicas de shows medicinais. Anderson a esta altura de sua vida, aos sessenta e um anos de idade, já passara de seu auge, no entanto, ainda demonstrava grande firmeza tanto em sua palhetada quanto em sua voz. No ano seguinte, Pink Anderson ainda apareceu no filme "The Bluesman". O filme lhe permitiu cobrar um pouco mais por suas apresentações porem em 1964 ele sofreu seu segundo ataque cardíaco o que o obrigou a parar de vez com a vida artística. Passou o resto de sua vida morando em um barraco e ensinando seu filho, hoje conhecido como Little Pink, a tocar o violão. Ganhava $75 de aposentadoria e pagava $50 de aluguel. O resto do seu orçamento vinha de jogos de cartas que ele promovia em casa e venda de whiskey de alambique caseiro (moonshine whiskey). Em total obscuridade, sem nem seus vizinhos saberem que ele era músico ou que seu nome era associado à já famosa banda inglesa(Pink Floyd), Pink Anderson morreu dia 12 de outubro de 1974.
Ouça e veja Pink Anderson aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=mXdkUahBoSI

Discografia:
Pink Anderson
Os primeiros três da lista são coletâneas com vários artistas.
Story of Blues - Georgia String Bands 1928-1930 (Simmie Dooley e Pink Anderson).
Bawdy Blues
Bluesville Years, Vol. 6: Blues Sweet Carolina Blues
Carolina Bluesman, Volume 1
Medicine Show Man, Vol. 2
Ballad and Folksinger, Vol. 3
Gospel, Blues and Street Blues: - Rev. Gary Davis and Pink Anderson
Fonte: Márcio Ribeiro

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