sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Muddy Waters - Electric Mud (1968): blues experimental, funky, rock e psicodelia


"Fiquei surpreso ao ver tanta influência do rock psicodélico no álbum desse grande bluesman. Já disse o querido ChrisGoesRock, esse álbum não é para aqueles que se consideram blueseiros puristas. Muddy Waters traz um álbum original que foge um pouco do blues tradicional e incorpora elementos do rock psicodélico. O disco foi lançado em 1968 e Jimi Hendrix fazia história com sua guitarra distorcida neste ano. Dá pra perceber aqui uma grande influência desse momento, pois Muddy Waters sai do blues tradicional e entra no rock psicodélico mais barulhento e distorcido pra acompanhar os ouvidos da época. Neste álbum Muddy Waters traz regravações de suas músicas como "I Just Want To Make Love To You", "I'm Your Hoochie Coochie Man", e "Mannish Boy", só que agora numa pegada mais rock. Um dos melhores álbuns de blues rock psicodélico setentista que já ouvi. Confira "I'm Your Hoochie Coochie Man" antes de baixar o álbum." lenhador



"Tem gente que não curte por não ser blues tradicional. Há pouco tempo atrás eu soube inclusive que o próprio Muddy renegou este disco. Mas e daí? É difícil defender uma obra cujo próprio criador repudia mas, eu, particularmente, à parte das questões que envolveram sua concepção e pseudo-purismos musicais, considero este um baita de um disco. "Electric Mud" de 1968 aproximava ainda mais o velho e bom blues do psicodelismo corrente naquele final de anos 60 nos quais Jimi Hendrix, por exemplo, já começava a ensaiar esta tendência. Com guitarras mais pesadas, efeitos e levadas mais viajantes, o velho Muddy mostrava vocais simplesmente alucinados e solos enlouquecidos. Ele que já havia sido um dos grandes responsáveis pelo conceito de blues band, que desenvolvera um jeito todo particular de tocar guitarra, ele que fora um dos blueseiros que mais aproximara sua linguagem com a do rock, agora dava peso e experimentalismo ao blues como nenhum bluesman da escola tradicional havia ousado fazer até então. O resultado disso são oito pérolas do rock-blues com a qualidade e a marca registrada da guitarra do Chefe de Chicago .... tudo é demais nesse disco!
Mas o grande barato mesmo, para mim, é a versão de "Let's Spend the Night Together" dos Rolling Stones. Inspiradíssima, ácida, empolgante, emocionante, envolvente, uma daquelas versões que faz a gente questionar se a cover não seria até melhor que a original. Será? Diz-se que a ideia do disco neste conceito mais rock, mais doidão, mais eclético teria sido do filho do dono da gravadora, Marshall Chess, que achava que a cerreira do cantor não estava indo muto bem e aproveitou a onda psicodélica para 'sugerir' que Muddy fizesse um disco nessa linha. Ao que consta, foi tudo meio forçado, meio goela abaixo e Muddy não gostou muito disso nem do resultado final. Ao que parece fãs do blues mais tradicional e da obra do cantor também torceram o nariz e o disco foi um fracasso no Estados Unidos. Pra mim, independente do conceito, da ideia, da aprovação ou não do próprio autor da obra, o resultado final é uma das melhores coisas originadas da fusão direta do blues e do rock, que, afinal de contas, além de serem como pai e filho, desde que o rock se originou dele, sempre andaram de mãos dadas mesmo. O fato é que se McKinley Morganfield, vulgo Muddy Waters, fez este disco contrariado e não gostou do que fez, deu muita sorte em fazê-lo e, sobretudo, nós demos muita sorte de que ele o tenha feito e tenha saído desse jeito. Produziu, talvez, por acaso, uma obra-prima." clyblog

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